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Falta de patrocínio cancela Sinfonia das Águas depois de nove anos

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Falta de patrocínio cancela Sinfonia das Águas depois de nove anos

Falta de patrocínio cancela Sinfonia das Águas depois de nove anos
agosto 21
17:45 2015

POÇOS DE CALDAS – Próxima de completar nove anos de apresentações, a Sinfonia das Águas, um espetáculo artístico e musical, realizado ao ar livre, em Poços de Caldas, com a participação da Orquestra Sinfônica Municipal teve a próxima edição, marcada para setembro, cancelada. O motivo é a não captação de recursos através da Lei Rouanet.

A Sinfonia das Águas, na 55ª edição, já reuniu mais de 300 mil pessoas nas apresentações no parque José Affonso Junqueira, na área central da cidade, No local está localizado o Palace Hotel, um importante patrimônio histórico construído na época dos cassinos.

O maestro, Agenor Ribeiro Neto, regente da orquestra, diz que não se conseguiu captar recursos pela Lei Rouanet e, também,a prefeitura está sem condições de arcar com os custos da sinfonia, que não são baixos. Para viabilizar o espetáculo, segundo ele, precisaria de apoio do comercio da cidade, como hotéis, bares, restaurantes, lojas de souvenires etc.

Agenor afirma, ainda, que é indiscutível que os comerciantes lucram em dias de espetáculo e, teriam ,desta vez, que contribuir financeiramente, evitando uma parada que poderá ser fatal e definitiva”, ressaltou.

maestro sinfonia

Agenor regente da orquestra

Como criador da Sinfonia das Águas, Agenor diz que lamenta profundamente o cancelamento do espetáculo, agendado desde o ano passado. Ele reconhece, que devido a crise, seria irresponsável da parte dele pedir a prefeitura para bancar o espetáculo musical, enquanto o município enfrenta enormes dificuldades na arrecadação.

Segundo Agenor, a prefeitura tem limitações e, neste momento, é preciso que a sociedade civil faça a sua parte, no que diz respeito a eventos e dê sua contribuição. “Quanto custaria a cada segmento do comércio um rateio para se realizar a sinfonia? Garanto que seria uma ínfima parte do que ganham com o espetáculo”, indaga.

Datas

De acordo com Agenor, as sinfonias começaram a ser realizadas somente em datas consideradas ruins para o turismo, justamente com o intuito de trazer o turistas na baixa temporada. “Por exemplo, qual seria a ocupação hoteleira em Poços de Caldas, dia 28 de março deste ano, se não fosse a realização de uma Sinfonia?”.

O maestro indaga também: como estariam os bares, restaurantes e vendas nas lojas? Seriam boas? Os hotéis estariam com boa ocupação, em plena a quaresma, com o país vivendo esta grave crise financeira”, desabava.

Agenor alerta, ainda, que o cancelamento de um espetáculo pode, inclusive, representar o fim da atração. Segundo o maestro, até o momento foram feitas 1.350 reservas para a Sinfonia. “Com certeza, como sempre acontece, em setembro os ingressos estariam esgotados em uma semana no máximo.

Todavia, diz Agenor, a arrecadação com ingressos cobre apenas 15% do custo do evento. Os 85% restantes teriam que vir da Lei Rouanet, ou via cotização dos segmentos interessados na realização da Sinfonia.

O maestro reconhece que a Sinfonia das Águas não representa todo o turismo do município, mas é um evento que traz respeito e admiração pela cidade, que faz hoje o maior musical da história do país. “Um evento feito por gente da própria cidade: músicos, atores, bailarinos e cenógrafos; tudo ao vivo”, explica.

“Desta vez, sinto que a decisão de cancelamento da Sinfonia das Águas fica nas mãos das pessoas que têm plenas condições de mantê-la. É importante que tenham a percepção que o país está em crise e, em curto prazo, serão esses setores que perderão receita e não será pouco. Alguém duvida disso?”, conclui.

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