Mais Edson que Pelé

Mais Edson que Pelé

Mais Edson que Pelé
fevereiro 03
12:33 2017

Ídolo fala de relação com a morte, desilusão com a política e “corneta” Fifa e Neymar
Bruno Freitas, Samir Carvalho e Vinicius Mesquita
Do UOL, em Santos

O homem que rompia defesas pelo mundo hoje precisa de uma bengala para se locomover, mesmo em distâncias pequenas. Pelé enfrentou uma série de internações e cirurgias nos últimos anos, mas diz não temer a morte. Existencialmente, a tragédia recente com o avião da Chapecoense inspirou mais reflexões ao “Rei” do que as idas e vindas aos hospitais.
“Acho que temos que encarar a morte como uma coisa natural, acreditar em Deus. Porque quando Ele chamar, não importa onde você esteja, quem você é”, afirmou.
Pelé é (imortal) mesmo. Mas o Edson vai morrer qualquer dia”, acrescentou o maior goleador da história do futebol.
Se as pernas não têm mais a potência de impulsão da Copa de 1970, o cérebro continua atualizado com os temas mais relevantes da atualidade, da Lava Jato à nova Fifa. Na entrevista a seguir, o ídolo enfrentou questões polêmicas como a distância dos netos reconhecidos judicialmente, a fase de Neymar e o famoso comentário de Romário sobre “Pelé calado ser um poeta”. O “Rei” ainda ofereceu histórias divertidas sobre celebridades, de Xuxa a Sylvester Stallone.

Longe dos netos
A imagem pública quase beatificada de Pelé sofreu um arranhão quando Sandra Regina Machado expôs a luta pelo reconhecimento de paternidade. Nos anos 90, após se submeter a testes de DNA, a ex-vereadora de Santos conseguiu na Justiça o direito de usar o sobrenome Arantes do Nascimento. A herdeira morreu em 2006, vítima de câncer de mama, mas seus dois filhos conseguiram judicialmente em 2013 a prerrogativa de receber pensão do avô.
“Quando teve aquele episódio de uma filha minha, que faleceu, que falaram que eu nunca dei atenção. Depois de 30 anos que ela veio dizer. Eu não conhecia, não sabia quem era. Que Deus a tenha em bom lugar. Agora eu tenho os netinhos, filhos da Sandra, os netinhos dela estão aí. Me perguntaram se eu tenho contato, eu falo que não tenho tido. Porque os meus netos todos, dos meus filhos legítimos, eu tenho contato”, declarou Pelé.
Broncas da mãe de 93 anos
De vez em quando ela acha ruim que eu não telefono muito para ela. Mas eu falo: ‘Mãe, muitas vezes eu ligo e não tem ninguém, a senhora não usa o telefone’. Ela fala: ‘Se eu não atender a primeira vez, você tem que tentar até eu atender’. ‘Mãe, mas eu tô ligando de Nova York, às vezes estou ligando de fora’. ‘Mas eu que coloquei você no mundo’, ela diz

Fifa fez “besteira” com Mundiais

O time de Pelé atropelou Eusébio e companhia em 1962. No ano seguinte, uma lesão fez o craque ver os companheiros derrotarem o Milan numa batalha de três jogos. O decantado Santos dos anos 60 foi o primeiro clube brasileiro a celebrar o status de campeão mundial – duas vezes seguidas. No entanto, a nova administração da Fifa manifestou em janeiro passado que não reconhece os troféus. Para a entidade, valem como títulos mundiais apenas os torneios após 2000, realizados com a chancela da organização.
“Essa é uma decisão, da minha maneira de entender, totalmente errada da Fifa”, criticou.
Como eles podem querer anular um título que foi o único dos Mundiais que foi até o final e disputaram os campeões de cada região. Quer dizer, é um absurdo, né? Até difícil de entender como eles querem fazer uma besteira dessa, porque não têm razão para não considerar válidos esses títulos”

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